Acordo com olhos pesados de arquivista
como um corpo que passa pela noite
à espera de mim mesma:
que me acorde
que me sinta
que me chame.
Verifico e ainda estou aqui:
meus pés, minhas mãos;
desvelam-me —
como a uma criança escondida
em um pique-esconde
em que jamais acabasse a contagem
sentindo nas entranhas
o estalar da espera.
Ainda está também o vidro:
uma abóboda perfeita
sem haze, float
irisação, rachaduras.
Sem uma cutícula a ser arrancada
e contornada até mostrar apenas:
o interior.
— os botânicos do século passado
tiveram mais cuidado:
dispuseram plantas
em suas garrafas de vidro
as lacraram com
rolhas de madeira
as colocaram em
um spot de destaque —
abro os olhos, e, entretanto:
bottle plant is blooming marvellous.
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