em busca de ser nomeável
por nossas partes
há uma taxiologia das dores:
esse arranhão aos sete
de meu crime inconfesso
essa mancha dos catorze:
do desejo desenfreado
a falha dos vinte e um:
da espera silenciosa por você
o quebrar-se de um gato
há cada 7 anos
é preciso testar
puxar os cantos
ver a textura
esperar que seja o momento -
e ai sim:
eis me:
sangue e epiderme
em quantidades exatas de exposição
rechear e mascarar
cuspir, esperar outra coisa:
durante o verão
em que enchi os bolsos de missangas
e os pés de barro com sandálias
e minhas mãos com as suas
aprendi a esperar pela chuva
o inevitável
irrefreável
me vencendo.
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