quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

colher de chá


sinto a dor na lombar e me vem o aviso
vigiai as emoções
tão desequilibradas exibicionistas
minhas melancolias
herdadas da gaveta de mamãe
que não se encerram nem com
xícaras e xícaras de chá
cenoura inhame batata doce e mel
um fígado que se assemelhasse a um deus grego
sem cólera sem remorsos sem ciúmes
tomo a canja às colheradas
no meu próprio silencio
protejo o pescoço
me ofereço às agulhas
me entrego aos livros
o sofrimento é um pouco de performance

minha professora de literatura
me ensinou que toda escrita
é uma farsa
justo ela que era portuguesa
e instrutora de yoga
quis dobrar a
única palavra que nos uniu
entre navios mares e violências:

afinal, só escreve quem precisa perder 

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