sinto a dor na
lombar e me vem o aviso
vigiai as emoções
tão desequilibradas
exibicionistas
minhas melancolias
herdadas da gaveta de
mamãe
que não se encerram
nem com
xícaras e xícaras de
chá
cenoura inhame batata
doce e mel
um fígado que se
assemelhasse a um deus grego
sem cólera sem
remorsos sem ciúmes
tomo a canja às
colheradas
no meu próprio silencio
protejo o pescoço
me ofereço às agulhas
me entrego aos livros
o sofrimento é um
pouco de performance
minha professora de
literatura
me ensinou que toda escrita
é uma farsa
justo ela que era
portuguesa
e instrutora de yoga
quis dobrar a
única palavra que nos
uniu
entre navios mares e
violências:
afinal, só escreve quem precisa perder
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