sábado, 14 de novembro de 2015

Teoria das Ferraduras

a vida é como uma ferradura, eu te disse
não sei se você entendeu
você nunca deve ter visto sequer uma ferradura
mas se tratava da questão do fixo simétrico
da questão de que estamos de um lado
andamos até o outro
para ver o mesmo e ser o mesmo igual idêntico
como gêmeos siameses que a mãe precisa escolher
com qual fica o braço direito ou esquerdo
com quem fica o pulmão bom e o rim podre
ou ainda como aquele dia morno de verão
do falso simulacro de que ainda poderíamos
entrelaçar os dedos e fim
mas é como a espiral nunca formada das ferraduras
que são passadas pelos furos de pregar
e pela cisão em duas partes suas
e alto lá se você acha que isso se trata de sorte
não faz sentido algum a ausência dar sorte
mas a verdade é que nunca mais senti a mesma coisa
mas sei ainda que estou do outro lado da ferradura
a verdade é que eu sempre soube que você tinha diabetes
e estive sempre a esperar pelo fatídico momento
em que ia descobrir o doce
tal qual édipo a sua imagem e semelhança
um deus de mil filhos e castrador
que se reconhece se admira se monta um templo
essa idéia já é um pouco vulgar
mas está no campo do inevitável
só sei que hoje pela janela
sei que pulei tudo e fiz tanto
para acabar do mesmo jeito
mas tremendamente diferente ainda
acreditando apenas que: sempre será verão entre nós.


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